O SACO É UM SACO? MAS SEM SACO A VIDA ERA UM SACO...!

Frequentemente somos informados da existência de uma campanha contra os plásticos culpando-os pelos males maiores da poluição. A mais recente refere-se às sacolas ditas do tipo “camiseta”. O consumo exagerado e o despejo inadequado no ambiente devem, realmente, ser combatidos, mas não deveríamos acusar o material, indevidamente, de “mumificação”: preservado ao relento por 100, 200, 500, 1000 anos (à escolha)...!

Quanta injustiça em abandoná-lo sem uso, sem piedade! Que desperdício de energia ao longo dessa vida de indiferença! Quanta atitude incorreta de todos os lados...!

Nascido no final do século XIX (1872) da necessidade de substituição do marfim empregado na produção de bolas para bilhar, em concurso com prêmio de US$ 10,000, produzido pelos irmãos John Wesley Hyatt e Isiah Hyatt , a partir da reunião do nitrato de celulose e da cânfora, resina de uma árvore chamada canforeira, o CELLULOID , o primogênito , surgia como um amigo dos elefantes e da natureza! No entanto, a era do plástico na petroquímica somente surgiria nos anos 30 do século XX com o PVC.

Felizardo! Nascido há menos de 80 anos já sabe, hoje, pelos amigos, que viverá, sem trabalho, descansando, abandonado ao relento, no mínimo, um século (há otimistas que lhe conferem muito mais tempo de vida!)

È lógico que nós sabemos que ele pode prestar muito mais serviços à sociedade, bastando utilizar a sua maior propriedade: o reprocessamento!

Nós, transformadores, adoraríamos vê-lo novamente em atividade: sempre incentivamos a sua reciclagem! Quando descartado adequadamente, recolhido seletivamente e reciclado ele fica à disposição de um novo trabalho de utilidades social, técnica e econômica. Ao reciclá-lo nós evitamos o desperdício de energia que ele contém e, ainda, somos obrigados a usar mais petróleo para produzir seus substitutos. O plástico não pode ser reciclado indefinidamente, há um limite: quando suas propriedades já não lhe permitem a utilização prática. Neste momento, definido no retorno, ele é encaminhado à incineração. Este processo de eliminação, na realidade é uma usina geradora de energia elétrica sem qualquer risco de poluição atmosférica. Só no Japão existem 69 usinas desse tipo...

Então, voltemos às sacolinhas do tipo camisetas: Por que devemos condená-las? Elas não nos são úteis? Elas não nos prestam um grande serviço, até com horas extras (outros usos além dos originais)?

Usemos, pois, a quantidade adequada aos nossos acondicionamentos e transportes. Lutemos pelo atendimento às normas existentes que as fazem resistentes ao ponto de não ser necessário o uso de mais de um exemplar a cada carga embalada. Separemos as desnecessárias para que sejam recolhidas por pessoas que fazem parte do grupo de catadores informais cuja existência as leis que tentam proibir o seu uso teimam em ignorar. Esses heróis anônimos tornaram o Brasil um campeão mundial de reciclagem de alumínio, caminhando para sê-lo no PET e em todos os plásticos.

Os plásticos nos trouxeram praticidade, redução de custos de produção, redução de preços dos produtos embalados por permitirem maiores volumes comercializados, diminuíram o consumo de combustíveis (96% do consumo mundial de petróleo, petroquímica 4%) no transportes de cargas e nos automóveis (substituição de materiais mais pesados), tornaram acessíveis os preços do vestuário e das construções.

Ao nosso conforto corresponde a necessidade de um consumo responsável, econômico e ambientalmente sustentável....

Não desejamos voltar aos tempos em que a embalagem das galinhas era um cone de jornal e as suas penas: elas eram vendidas vivas! A propósito, como seria o despejo seletivo, a coleta e a reciclagem das penas?

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