Pesquisa da CNI mostra que quase metade das empresas estão investindo em ações ou projetos de transição energética.
Produtos e processos sustentáveis se tornam cada vez mais uma exigência da sociedade para preservar o meio ambiente e combater as mudanças climáticas.
A indústria brasileira vem liderando esse processo. Pesquisa realizada no ano passado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Centro de Pesquisa em Economia Circular da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que 85% das indústrias no Brasil desenvolvem pelo menos uma prática de economia circular.
Em entrevista ao Mundo do Plástico, Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI, declarou que, entre outros benefícios, o modo como a indústria extrai, beneficia, usa e descarta o que é retirado da natureza contribui para uma transição para a economia de baixo carbono, com menos emissão de gases de efeito estufa, menor extração de novos recursos e melhor uso de energia.
Quase metade das indústrias investem em transição energética
Segundo o mais recente Balanço Energético Nacional (BEN) divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em parceria com o Ministério de Minas e Energia, a indústria consumiu 31,8% de toda a energia gerada no Brasil em 2023 – atrás apenas do setor de Transportes (33%).
Por outro lado, foi o setor que apresentou menor crescimento no consumo entre os anos de 2022 e 2023: 2,9% (contra 6,4% de serviços, por exemplo).
Além disso, houve um registro de 64,7% de renovabilidade na matriz energética na indústria em 2023.
Outra pesquisa da CNI, esta encomendada à Nexus, constatou que quase metade (48%) das empresas entrevistadas estavam investindo em ações ou projetos de transição para fontes de energia renováveis (hídrica, eólica, solar, biomassa ou hidrogênio de baixo carbono) em 2024.
Aumenta busca por fontes renováveis
Para se ter uma ideia, a edição anterior da pesquisa, em 2023, apontava que este índice era de 34%.
Outros dados apontados pela pesquisa CNI/Nexus comprovam a busca dos empresários para incorporar fontes renováveis de energia no processo produtivo:
- Número de indústrias que consideram a energia renovável e a inovação como estratégias para a descarbonização: 25% em 2024; 23% em 2023.
- Número de indústrias que priorizam a inovação tecnológica para descarbonização: 20% em 2024; 14% em 2023.
- Mais de 60% das empresas manifestaram interesse em financiamento para adequar seu maquinário para fins de descarbonização.
Por outro lado, a grande maioria (9 entre 10 entrevistados) aponta como principal gargalo a falta de incentivo tributário para as ações de descarbonização industriais.
Para Muniz, da CNI, o aumento do interesse em investir em fontes de energia renováveis demonstra que o Brasil está na vanguarda da transição energética e reflete o compromisso crescente da indústria brasileira com a sustentabilidade.
“O avanço reforça a conscientização do setor sobre seu papel no enfrentamento das mudanças climáticas”, afirma
Embora não exista um recorte da pesquisa específico para a indústria de plástico, o BEN, da Empresa de Pesquisa Energética, demonstrou que, entre os segmentos industriais, o químico foi o que mais diminuiu o consumo de energia em 2023: 7,8%.
Muito além da energia renovável
A pesquisa da CNI apontou, também, que a indústria brasileira direciona seus esforços para seis outras medidas de sustentabilidade, sendo as práticas mais comuns:
- Redução da geração de resíduos: 89%
- Otimização do consumo de energia: 86%
- Modernização de maquinário para ganhos ambientais: 81%
- Redução ou eliminação da poluição da água: 79%
- Otimização do uso da água: 79%
- Aperfeiçoamento dos processos produtivos para melhorar o desempenho ambiental: 77%
Brasil é um dos países com mais energia limpa do mundo
Os números demonstram que a indústria está alinhada ao aumento do uso de uma matriz energética sustentável no Brasil como um todo.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, energia eólica e solar já representam quase um quarto (23,7%) da geração total de eletricidade do país.
A geração eólica, por exemplo, aumentou 12,4% de 2023 para 2024; a solar, 39,6%; e do gás natural, 23,9%. Essa expansão causou a queda de 1% na participação da fonte hidráulica na matriz elétrica brasileira.
No total, a participação das fontes de energia renováveis no país alcançou 88,2%, muito acima da média mundial, posicionando o Brasil como um dos países com mais fontes de energia limpa do mundo.dddd
Mercado Livre de Energia contribui para a sustentabilidade
Tais índices tendem a melhorar ainda mais com a expansão do Mercado Livre de Energia nos próximos anos.
Essa transição é considerada estratégica para reduzir a pegada de carbono, uma vez que o consumidor pode escolher, comprar e remunerar um fornecedor de fonte renovável.
O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu até 21 de outubro deste ano uma Consulta Pública para regulamentar a abertura do mercado de energia elétrica para todos os consumidores brasileiros, incluindo os residenciais.
Fonte: Cresce o uso de energia de fontes renováveis na indústria | Mundo do Plástico
Imagem: banco de imagens