Reúso de água nas indústrias move máquinas e preserva recursos

Em um mundo onde a escassez hídrica se torna uma realidade cada vez mais próxima e, em algumas regiões, já um fato consumado, o reúso de água nas indústrias deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade estratégica.

Em um mundo onde a escassez hídrica se torna uma realidade cada vez mais próxima e, em algumas regiões, já um fato consumado, o reúso de água nas indústrias deixou de ser uma opção para se tornar uma necessidade estratégica. Muito além de uma prática ambientalmente responsável, o reaproveitamento da água industrial representa ganhos econômicos, segurança hídrica e uma resposta concreta às exigências regulatórias cada vez mais rígidas.
Esse processo é definido pela captação e tratamento de efluentes (águas residuais provenientes dos processos industriais) ou águas cinzas para sua reutilização, total ou parcial, dentro do próprio processo produtivo ou em usos secundários. A água, antes descartada, é tratada a partir de diferentes tecnologias e redirecionada para novas aplicações, reduzindo significativamente a demanda por água potável.
“A ideia de reúso ou reaproveitamento envolve o uso de esgoto doméstico tratado, ou ainda os efluentes de processos industriais, para reutilização nos processos em que não há contato com pessoas ou processos que não exigem qualidade potável, contribuindo para a redução da captação de recursos hídricos naturais” – destaca Rogério Tavares, vice-presidente de relações institucionais da Aegea. 
Por outro lado, para muitas empresas, o conceito de reúso vai muito além da simples substituição da água potável por uma alternativa. Na Braskem, por exemplo, envolve uma visão integrada de gestão hídrica, que considera a reutilização de efluentes tratados como um recurso estratégico para a operação industrial. 
Na prática, é a capacidade de aproveitar um insumo que já cumpriu um ciclo em outro uso, como no tratamento de esgoto sanitário e reinseri-lo nos processos, garantindo qualidade e volume necessários para as demandas produtivas. Essa abordagem contribui para reduzir a pressão sobre mananciais superficiais e subterrâneos e, ao mesmo tempo, reforça a resiliência das operações diante de cenários de escassez hídrica.
“O reaproveitamento da água na indústria surge da necessidade de reduzir o uso desse recurso, especialmente em regiões com potencial de estresse hídrico. Com a crise climática, áreas com alto risco de secas severas enfrentam maior escassez, o que pode gerar conflitos pelo uso da água” – enfatiza Luiz Carlos Xavier, responsável por adaptação às mudanças climáticas na Braskem.
Nesse contexto, a indústria pode contribuir reduzindo a captação por meio de iniciativas de reúso interno e migrando das fontes atuais que estão em áreas de risco para alternativas mais sustentáveis, como o reúso de água proveniente do tratamento de efluentes domésticos. 

Mas por que adotar essa prática?
São múltiplos os motivadores para a adesão crescente ao reúso de água nas indústrias. O primeiro que podemos citar é o econômico, com a redução de custos com captação, tratamento e descarte de efluentes. Ainda podemos mencionar o quesito reputação, uma vez que o reaproveitamento de água traz melhoria da imagem institucional junto a investidores e consumidores. Por fim, temos a segurança hídrica. Em regiões como o sudeste brasileiro, onde crises hídricas têm sido recorrentes, o reúso surge como uma ferramenta de resiliência operacional.
“Do ponto de vista econômico, o reúso permite reduzir os custos operacionais associados à captação, ao tratamento e ao descarte de água, além de oferecer maior previsibilidade e estabilidade tarifária, especialmente em regiões com escassez hídrica ou tarifas elevadas. Já sob a ótica da segurança hídrica, representa uma estratégia importante para garantir a continuidade das operações industriais em cenários de estiagem ou de instabilidade no abastecimento” – complementa Tavares. 
O aspecto regulatório também exerce influência, com o avanço de políticas públicas e normas ambientais que incentivam ou exigem práticas mais sustentáveis na gestão dos recursos hídricos, o que inclui metas de redução de consumo e estímulo à reutilização. Além disso, as exigências crescentes em torno das práticas ESG tornam o reúso uma ferramenta relevante para reforçar o compromisso ambiental das empresas, melhorando sua imagem institucional e alinhando-as às expectativas de investidores e da sociedade.
Apesar da legislação brasileira versar sobre a qualidade da água de reúso, cada projeto industrial é único quanto aos requerimentos de qualidade. A Resolução Conama nº 430/2011 uma das principais normas, estabelecendo diretrizes para o reúso de águas residuárias e determinando alguns requisitos técnicos básicos para seu tratamento e monitoramento.
Além disso, o Código de Águas e outras normas estaduais e municipais podem complementar a regulamentação federal, adaptando-se às necessidades locais e especificidades regionais. As normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) também fornecem orientações sobre o reúso de águas. Vale lembrar que alguns estados e municípios possuem suas próprias regulamentações específicas.

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Fonte: https://www.revistatae.com.br/Artigo/992/reuso-de-agua-nas-industrias-move-maquinas-e-preserva-recursos

Imagem: banco de imagens